Strawberry Land: Arianos

21 de novembro de 2015

Arianos


A palavra ariano, ao referir-se a um grupo étnico, tem vários significados. Refere-se, mais especificamente, ao subgrupo dos indo-europeus, que se estabeleceu no planalto iraniano desde o final do terceiro milênio a.C. Por extensão, a designação "arianos" (não o termo "árias") passou a referir-se a vários povos originários das estepes da Ásia Central - os Indo-europeus - que se espalharam pela Europa e pelas regiões já referidas, a partir do final do neolítico. O nome ariano vem do sânscrito arya, que significa nobre.


Até recentemente, acreditava-se que os arianos teriam invadido o subcontinente indiano por volta de 1 500 a.C., vindo do norte, pelo Punjabe, disseminando-se pela Índia, Pérsia e regiões adjacentes. Teriam sido os descendentes dos indo-europeus que fundaram a civilização indiana, subjugando as populações locais, dando origem ao sistema de castas e, mais especificamente, às castas dominantes dos Brâmanes, xátrias e vaixás. A sua cultura teria ficado particularmente expressa nos Vedas e, principalmente, no Rig Veda, considerado como o mais antigo. No entanto, a hipótese da invasão ariana na Índia tem sido questionada desde o final do século XIX, por causa de novas descobertas arqueológicas e geológicas e pela proposta de novas interpretações das evidências conhecidas anteriormente.

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O termo "ariano" refere-se, também, na história das línguas, ao proto-ariano, que teria sido o ramo linguístico comum aos antepassados dos povos indo-áricos e iranianos e aos dois grandes sumbramos linguísticos a que terá dado origem, ou seja, às línguas indo-áricas e às línguas iranianas. Estes dois sub-ramos são árico ou indo-iraniano. Pode ainda referir-se, especificamente, aos grupos linguísticos atualmente conhecidos como proto-indo-europeu, proto-indo-iraniano e indo-iraniano. Em tempos, também se utilizou o termo para designar todas as línguas indo-europeias.

O termo ganhou outro significado com a ideologia nazi que, baseando-se em teorias de vários autores evolucionistas do século XIX, o usou para classificar uma suposta raça comum aos indo-europeus e aos seus descendentes não miscigenados com outros povos. Deve-se a este facto a vulgar confusão que identifica arianos com os povos nórdicos e, mais especificamente, germânicos.

Mapa do Meyers Konversationslexikon (1890), onde os Arianos Europeus e Indo-arianos são apresentados juntamente com os Semitas e os Hamitas, formando a "raça caucasiana".
A palavra ariano tem origem no latim ariānus (ariāna, ariānum), referindo-se à região da Ária. Esta região, designada por Arīa ou Ariāna em latim, corresponderia à parte ocidental da Pérsia ou da Ásia, e deve o seu nome à adaptação dos termos gregos Areía ou Aría que, por sua vez, remontam aos radicais persas ariya- ou ao avéstico airya- que se referem a povos invasores e dominantes que mantinham, contudo, solidariedade étnica em relação aos povos dominados, considerados "bárbaros". A forma Aryāna-, do persa antigo aparece depois em avéstico como Æryānam Väejāh ("Território dos arianos") ; em Persa médio como Ērān, e no Persa Moderno como Īrān  , que deu origem, em português, a Irão ou Irã. De modo semelhante, a Índia setentrional já foi designada em tempos antigos pelo vocábulo composto (tatpurusa) Aryavarta "Arya-residência".

No final do século XVIII (1788), linguistas como William Jones relacionavam e comparavam o sânscrito, falado pelos indo-arianos, com línguas como o latim ou o grego, descrevendo-o como uma língua de características "perfeitas". Foi porém Friedrich Schlegel, que desenvolveu a tese que identificava o sânscrito com a língua mãe das línguas que viriam a ser conhecidas como indo-europeias, estabelecendo uma confusão de terminologia que se manteria e exploraria nos séculos que se seguiriam. O termo indo-europeu apareceu pela primeira vez num artigo de Thomas Young, na Quarterly Review, em 1813 e foi igualmente utilizado por Johann Gottlieb Rhode em 1820. James Cowles Prichard e Franz Bopp também já tinham sugerido a designação de indo-germânicos em 1831 e 1833, respectivamente, quando o orientalista Max Müller, em 1860, decidiu utilizar o termo "arianos" para designar a família etno-linguística que teria dado origem aos Indianos, Persas, Gregos, Romanos, Celtas, Germânicos e Eslavos. Este foi o termo que perdurou durante o século XIX.